Noticiando o mundo dos livros #5 | Babi Dewet

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Babi Dewet tem 26 anos, mora no Rio de Janeiro, é autora do livro Sábado à Noite, blogueira, formada em Cinema, professora, Galaxy Defender, Jedi, Sonserina, fã de Kpop, empresária neurótica, amante de séries de TV coreanas e filmes bobos americanos.




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04 jun 2012

Noticiando o mundo dos livros #5

O autor como protagonista

Por Gui Liaga

Sim, eu sumi. Sim, estamos em junho e esse é o meu primeiro texto da coluna no ano! Eu adoro escrever e fiquei bem feliz quando recebi pedidos para continuar dando minha opinião sobre esse mundo editorial louco, mas a vida é corrida e a minha paciência, curta. Hoje, enquanto lia as newsletters do Publishnews (se você não recebe, você não pode ser considerado um amante de livros!), me deparei com um artigo interessante que me levou a pensar em alguns autores nacionais.

A matéria postada no The New York Times fala sobre como, na era digital, o autor que só escreve um livro por ano é considerado inativo e pode até perder seu público. Escrever é um processo difícil. Alguns têm talento, outros tentam. Nem sempre o autor brilhante consegue seu espaço na prateleira da fama, e muitos escritores medianos viram bestsellers. Escrever é mais do que literatura, tem a ver com feeling, sociologia, antropologia, psicologia e estratégia de marketing (mas isso é papo para outro dia).

Toda aquela áurea intelectual do escritor isolado meses em uma cabana para terminar sua obra não combina mais com a nossa realidade. O consumismo demanda outras habilidades e o livro é um objeto a ser comercializado. Sem romantismo, sem essa história de que “isso é meu filho”. Com os e-books chegando para sacudir o cenário editorial, escritores e editoras precisam “tentar satisfazer os leitores impacientes que se acostumaram a fazer download de qualquer livro ao toque de um botão”.

Sendo assim, apenas lançar sua obra não é mais suficiente. O autor precisa entrar em foco, virar seu próprio protagonista. Aparecer em mídias sociais e trabalhar em outras plataformas multimídias. Se o seu objetivo é vender o máximo possível e viver apenas de literatura, é preciso colocar a mão na massa. Não adianta esperar a editora fazer mágica e resmungar quando isso não acontece. O autor precisa ter consciência de que seu trabalho vai além da escrita.

Mas vejam bem, eu não acho que o autor precise ser vendedor de livros. Isso é tarefa para o comercial da editora. Ele precisa é saber quais as estratégias possíveis para que seu livro entre em evidência. Hoje temos soluções baratas, como brindes, resenhas de blogs, promoções etc. Essas ações que estamos cansados de ver por aí. Porém é preciso de mais. É preciso ter o diferencial.

É lançar um livro pensando em como prolongar ao máximo sua vida útil no interesse dos leitores (e da mídia). Um booktrailer diferente? Um site com fórum? Palestras para fãs? Festas para leitores? Um CD? Esticar a história com spin-offs, contos ou outros?

Pode ser difícil para um escritor pensar em criar outra história quando a sua última acabou de ser lançada, mas mesmo com o mercado saturado, a fome por novidade é grande. E aqueles que não tentarem alimentar os leitores poderão perder grandes oportunidades. A pressão pode ser grande, tanto do lado da editora, quanto dos fãs. Mas vocês precisam sempre se lembrar que o mercado editorial é como qualquer outro mercado, ele é movido por dinheiro e interesses. O livro não é uma obra de arte intocada, ele é um mero produto. E todo produto carrega um valor emocional e material.

Então, meus caros, mexam as buzanfãs e vamos à luta!

Para ler o artigo original em inglês, clique aqui; e para assinar a newsletter do Publishnews, aqui.

Gui Liaga é jornalista, agente literária, possui MBA em Publishing pela FGV-Rio e não agüenta mimimi de autor que não entende do seu próprio meio de trabalho.

*Ficou com alguma dúvida? Quer dar uma sugestão de temas para futuros textos? Envie e-mail para guiliaga@gmail.com, mas, para ser lido, não esqueça do assunto! Ou mande tweet para @guiliaga.



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