Quando eu lancei Sábado à Noite, meu livro, de forma independente em 2010, fiquei um pouco perdida tentando encontrar informações para conhecer melhor o mercado que estava embarcando sozinha e tudo mais. Hoje em dia, graças a Deus, temos novos autores criando coragem pra aprender sozinhos sobre o mercado editorial e dispostos a dividir isso com quem estiver curioso!
Para ser bem sincera, me senti um pouco “excluída” desse mundo, sabe? A impressão que eu tive foi de que, infelizmente, os autores nacionais não tem tanto espaço assim e, pior, nossas obras não são tratadas com o mesmo carinho que as internacionais. Vi editoras que levam até dois anos para ler um original e não te avisam nada.
Resolvi fazer uma pequena entrevista com a novata Mariana Pereira, que é minha amiga há muitos anos, e que está lançando seu primeiro livro independente chamado Ao meu ídolo, com amor… pela All Print. Vai rolar até lançamento na Bienal de SP esse ano!
Saiba mais sobre a história do livro lá no blog oficial (que é lindo, cheio de mimos e capítulos pra leitura!). Adicione também ao Skoob.
1 – Fale um pouco sobre você, se apresente.
Meu nome é Mariana, tenho 23 anos, sou jornalista, fotógrafa, wedding planner e escritora. Nasci numa cidade do interior do estado de São Paulo, chamada Matão, e me mudei para Santos, no litoral, quando tinha 12 anos. Sou apaixonada por livros, cinema, música, teatro, dança e redes sociais – viciada, na verdade. Ah sim, e tenho o dom de viciar as pessoas nas músicas da Taylor Swift!
2 – Como foi seu primeiro contato com os livros? Você se considera uma grande leitora?
Meu primeiro contato com os livros foi quando eu ainda era pequena, com uns 6 ou 7 anos. Um dos meus tios paternos é professor universitário e casado com uma professora. Sendo eu a mais velha das sobrinhas, fui a primeira a começar a ler e a ganhar livros. Eu lembro que tinha um livro O Pequeno Polegar, que eu li muitas e muitas vezes. Depois veio o do 101 Dálmatas, O Pequeno Príncipe, Ei, tem alguém aí?. Meus pais sempre me incentivaram muito também, então compraram uma série de livros de etiqueta para adolescentes, que eu achava divertido e aprendi muito. Mas o que me botou de verdade nesse mundo foi Harry Potter. Eu ia viajar com a minha família para a fazenda de um amigo do meu pai e peguei O Prisioneiro de Azkaban na biblioteca da escola. É, eu sei, comecei pelo terceiro. Mas tão logo voltei para Santos e já corri pra comprar o primeiro. E daí vieram os livros da Meg Cabot, que eu amo de paixão, os da Sophie Kinsella e muitos outros. Depende do que seria uma grande leitora. Eu me considero porque leio por amor, não por obrigação. Também já ouvi dizerem que temos que ler um livro por mês, né? Estou terminando o segundo livro desse mês, já roendo as unhas para começar o terceiro e o novo da Meg. Então acho que sim, sou uma grande leitora.
3 – Quando começou a escrever suas próprias histórias?
Eu comecei tão logo mudei para Santos. Nasci numa cidade de interior, bem caipira mesmo, e caí aqui com a minha família. Eu tinha 13 anos e meu pai me deu a ideia de escrever sobre as aventuras da nossa família durante as viagens. Como ele tem uma tendência bem interessante a fazer coisas erradas e se perder, o livro seria uma comédia só. Tentei uma, duas, três vezes, mas sempre parava no primeiro capítulo. Três anos depois, não me lembro exatamente o motivo, comecei a escrever fanfics não interativas sobre os bastidores da novela Bang Bang. Foi uma época interessante, conheci muita gente através do blog da Fernanda Lima, que era protagonista, e eu escrevia e mandava para as minhas amigas. Eu só não sabia que aquilo era uma fanfic. Então acho que esse foi o meu primeiro passo no mundo dos autores, já que foi a primeira vez que eu escrevi algo “fora das aulas de redação” e tinha algumas leitoras.
4 – Conte como foi que decidiu ser escritora e autora de um livro.
Juntando essa parte das fanfics de Bang Bang, mais duas amigas que me apresentaram SAN (a Isadora e a Manoela), eu tive a ideia para a minha primeira fanfic. Mas foi engraçado, porque eu escrevi de brincadeira e mandei pro Fanfic Addiction porque seria mais fácil pras elas lerem. Só não imaginava que tanta gente fosse ler e comentar, pedindo mais. Uns dois anos depois eu comecei a pensar mesmo na possibilidade de escrever um livro. Continuava a devorar obras da Meg Cabot, tentando ler a trilogia Millennium, do Stieg Larsson, que era algo totalmente novo pra mim. E acabei pensando numa estória e achei que seria interessante desenvolver. E foi aí que nasceu Ao meu ídolo, com amor.
5 – Você, como nova autora, fez pesquisas sobre o mercado literário no Brasil? O que acha dele?
Fiz pesquisas de todos os tipos. Tenho uma publicitária me acompanhando nessa parte, a Taís, que foi a primeira a ler o livro inteiro. Para ser bem sincera, me senti um pouco “excluída” desse mundo, sabe? A impressão que eu tive foi de que, infelizmente, os autores nacionais não tem tanto espaço assim e, pior, nossas obras não são tratadas com o mesmo carinho que as internacionais. Vi editoras que levam até dois anos para ler um original e não te avisam nada. Eu sei que eles recebem muitas obras, mas acho que isso é um pouco de falta de consideração. Seria muito mais barato publicar os nossos livros do que comprar direitos autorais de best sellers, traduzir e fazer todo o processo de edição, até publicar. Eu recebi o e-mail de uma editora me pedindo desculpas, mas eles não poderiam publicar meu livro porque não tinham estrutura para autores nacionais, só internacionais. Fiquei uns dois dias tentando entender e aí caiu a ficha: é mais fácil você pegar uma obra pronta, já bem sucedida, do que apostar em desconhecidos. O que é uma pena, porque nossos autores ficam escondidos, sufocados por essa “invasão” externa. Me faz pensar muito no Canadá, no tempo que morei lá. Eu ia na Chapters, que é uma das livrarias mais deliciosas do mundo, e eles pintam no teto os nomes dos canadenses famosos. Em cima desse painel, tem um letreiro prateado dizendo “o mundo precisa de mais Canadá”. Não que lá seja muito diferente, até pela questão da quantidade de originais que eles recebem por dia, mas eu participei de um bookclub com uma autora, a Roberta Rich (The Midwife of Venice), e ela contou pra galera do grupo que era difícil publicar um livro, porque tinha muita gente boa e as editoras não davam conta. Ela teve que achar uma agente primeiro, pra depois conseguir uma editora, mas eu percebi que eles incentivam muito e dão muita prioridade aos autores canadenses, pra depois traduzir obras internacionais. Por muita curiosidade, eu cheguei a entrar em contato com uma editora, contei sobre o meu livro, mandei a sinopse e o editor me ligou na mesma hora, perguntando quando eu terminaria, porque ele queria ler. Tudo bem que eu acho que ele não se tocou que eu não sou canadense! O grande problema foi que o livro não estava terminado e estava em português. Mas deu pra sentir o gostinho da atenção de um editor, da vontade dele de publicar, coisa que eu não vi por aqui.
6 – Tem algum receio ou medo das dificuldades que pode enfrentar como autora novata e sem uma grande editora?
Eu acho que é o mesmo receio de quem também tem editora: o dos leitores não gostarem do livro. Eu sou muito chata mesmo, demorei dois anos para escrever Ao meu ídolo com amor… e, quando consegui acabar, pensei em não publicar. Eu acho que é o mesmo sentimento de uma mulher que tem filhos, sabe? Como eu vou soltar o meu bebê nesse mundão? Mas a Taís me incentivou demais, praticamente me obrigou a mandar esse livro pra editora. Cheguei ao ponto de ter quase 200 páginas escritas e apagar tudo, porque não conseguia desenvolver mais a estória do jeito que estava. Então o meu carinho por esse livro é muito grande mesmo e eu tenho medo das pessoas não gostarem. Graças à Deus tenho recebido muitas respostas prositivas sobre o primeiro capítulo, que está na internet, e sobre a sinopse.
7 – Quais foram seus critérios para optar por lançar seu livro de forma independente?
Além dessa dificuldade em conseguir a atenção de uma editora, foi a vontade de ver logo o o meu livro pronto. A gente passa tanto tempo escrevendo, arrumando, cuidando e eu não consegui botar na minha cabeça que levaria mais de seis meses para pega-lo nas mãos. Então juntei o desânimo que tinha aparecido com a pesquisa por editoras, mais essa vontade toda e saí em busca de formas alternativas de publicar. Pesquisei muito, tanto a parte de preços quanto de suporte. Não adiantaria nada eu pagar bem menos para uma editora que me mandaria os livros e ‘tchau’. Valia muito mais pagar um preço mais alto e ter espaço no mercado. E foi o que a All Print me ofereceu. Além do trabalho convencional (revisão, diagramação, capa…), eles abriram espaço para o livro nas Bienais e feiras, além de me ajudar com as grandes redes, como Saraiva e Livraria Cultura.






























Adorei a entrevista! E torço para que as editora mudem isso, poxa, é tão difícil encontrar autores nacionais jovens e com boas obras, então fico feliz que SAN tenha sido lançado, e que Ao Meu Idolo, Com Amor… também será lançado!
Boa sorte e muito sucesso, pra vocês duas!
Quero muito ler o livro da Mari! Gostei do que li nos capítulos liberados e é sempre muito legal ver novos autores dando o melhor de si pra ver sua história dar certo.
O mercado literário no Brasil é difícil (pra alguns, principalmente iniciantes), por isso vejo nas pequenas editoras uma espécie de “seletoras” dentro desse mercado, afinal, muitas delas lançam autores, investem em divulgação e acabam fazendo a ponte entre aquele escritor que pode dar certo e aquela editora de maior porte para uma reedição ou um lançamento por esse autor. É o que já vi acontecer. Aí que concordo com o que a Mari disse sobre “mais fácil você pegar uma obra pronta, já bem sucedida” com a ressalva de que isso não acontece apenas com obras internacionais.
O que é fato mesmo, é que as obras de autores nacionais, principalmente desses novos autores, vão ter que enfrentar sempre a “concorrência” das obras estrangeiras, sobretudo dentro da literatura YA. O que deve servir de estímulo para que haja sempre uma melhora das nossas obras.
Boa sorte com tudo Mari!
Eu comecei o Harry Potter pela Ordem da Fênix, mas já um pouquinho tarde, lembro que foi na sétima série e hoje já estou na faculdade.
Gostei muito das suas respostas, mostram que você tem coragem e força de vontade suficiente pra fazer com seu livro seja um sucesso. Adicionei mais esse pra minha lista de espera…
Abraços,
@GuriEntreGurias
O Guri postado recentemente…Banho de Gato
Super adorei a entrevista!
Dou todo meu apoio aos escritores independente.
Adorei o livro, quero pra mim !
Adorei a entrevista e esse livro já vai pra lista de compras! Muito sucesso pra você, Mari! Continue lutando pelo seu livro e pelo seu sonho, e desejo muito que seja um sucesso!
Adorei conhecer a Mari! Fiquei com vontade de ler o livro dela <3
luana postado recentemente…3 tempo #2
Quando a Mariana me falou sobre o livro, fiquei super animada! Adoro histórias com esta temática. Parece incrível!
Adorei a entrevista! =)
Pois é, precisam rever tudo isso. É triste ver que eles não se importam tanto com autores e obras brasileiras.
Que lindo ver que Harry Potter teve um significado gigantesco na vida das pessoas! <3
muito legal conhecer um pouquinho melhor da Mariana! Quero ler o livro dela
Fernanda Freire postado recentemente…Booktrailer: O Primeiro Dia
Que lindo *_*