Respondendo perguntas frequentes: o que são fanfics?

Hey peeps!
Continuando com os posts da tag Respondendo perguntas frequentes, que começou com “Como você começou a escrever?“, dessa vez resolvi falar um pouco sobre as fanfics e responder mais uma dúvida constante que recebo de leitores e curiosos, sempre que falo sobre o assunto.

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Porque a história não termina enquanto a gente disser que não terminou.

Então, o que são fanfics?

A descrição mais clara é que são “histórias feitas de fãs para fãs”. Na real, não tem explicação melhor. Fanfictions, como é o nome completo, são histórias criadas entre fandoms (grupos de fãs) e postadas na internet, normalmente entre sites especializados nisso – mas nada impede que você poste no seu blog, por exemplo. Podem ser baseadas em diversos universos: livros, filmes, séries, atores/atrizes, bandas, etc. A imaginação é o limite (ou seja, quase inexistente!). Diferente do que muita gente pensa, o universo das fanfics é como o universo dos livros e dos filmes: tem muitas classificações e estilos diferentes. As histórias podem ser românticas, de suspense, de mistério, dramas, comédias, eróticas, etc.
A maior parte começou a ser escrita para dar continuidade a histórias já existentes e finalizadas. Ou seja, os fãs quiseram dar finais alternativos e continuar fazendo o mundo em questão existir, sem limites.

Ah, então é como em 50 Tons de Cinza?

50 Tons de Cinza foi uma fanfic baseada no universo de Crepúsculo, sim. Mas é uma fanfic dentro de milhões na categoria erótica, que é uma entre milhões de outras existentes. Ou seja, nem toda fanfic é como 50 Tons. Na verdade, se for pensar em estatísticas, a categoria erótica (ou restrita, como é chamada normalmente) seria 1/20 do mundo de fanfictions.

Mas quem escreve fanfics, escreve para poder se relacionar sexualmente e fisicamente com algum artista que gosta, certo?

Certo e errado. Como um escritor de livros ou roteirista, as histórias são ilimitadas. Existem pessoas que escrevem fanfics para criar histórias onde se vêem tendo relacionamentos com artistas, como existem pessoas que escrevem por diversos motivos diferentes – desde aventuras a escape. Por exemplo em Sábado à Noite, quando escrita como fanfic, eu nunca tinha me imaginado como personagem principal. No começo eu até usava meu nome, porque era mais fácil e corriqueiro, mas depois eu simplesmente usava qualquer nome para a personagem. Ela nunca fui eu. Até porque, como SAN foi fanfic interativa desde o começo, a personagem principal sempre foi todo mundo que leu! Às vezes criamos histórias de amor que gostaríamos de ter vivido ou simplesmente momentos que seriam legais na vida real, mas nem sempre isso significa ter relacionamentos sexuais ou físicos com artistas.
Mas se você quiser, não tem problema nenhum.

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“Eu espero que o próximo capítulo esteja atualizado…”

Ah… então existe preconceito com quem escreve fanfic?

Existe sim. Pela falta de conhecimento, as pessoas normalmente tendem a pensar que o escritor de fanfics é amador e que não existe nenhuma técnica para isso, como se esse fato tornasse a escrita ruim. Acontece que, fazer sucesso no mundo das fanfics é tão difícil quanto no mundo literário, por exemplo. São muitas opções, a maior parte com textos de qualidade superior a muitos livros (alguns com erros ortográficos e de escrita, porque não passam pelo processo editorial que os livros passam), o que torna mais difícil a escolha da leitura. Muita gente acha que, por vir da internet e ser de graça, não tem qualidade nenhuma e isso é totalmente errado. Acabam tendo preconceito também com as obras que derivam de fanfics, embora muita gente nem saiba que Instrumentos Mortais e outros livros famosos vieram da internet.

O que são fanfics interativas e qual a diferença entre elas e as normais?

As interativas são fanfics que possuem um código (que uma beta dos sites normalmente coloca, não o autor), onde no início da história é perguntado detalhes do leitor (como nome, cor do cabelo, cor dos olhos, personagem favorito, nome da melhor amiga, etc) que irão ser incorporados na história. Então, ao invés de ler como “Fulana fez isso e aquilo”, o leitor passa a ler com o próprio nome, tendo uma ligação ainda maior com a fanfic. Essa moda de interatividade só começou no Brasil em 2005, quando o Fanfic Addiction (que tem “transformando seu sonhos em grandes histórias” como lema) trouxe a ideia dos americanos pra cá. Mas sempre foi muito comum lá fora. Já as fanfics “normais” são em texto corrido, com personagens determinadas pelo autor, sem interferência do leitor na composição.

Um autor de fanfic precisa de preocupar com direitos autorais?

Na verdade, não. Fanfics são criadas como homenagens e expostas de graça na internet. Sem fins lucrativos, elas não entram no limite dos direitos autorais, porque os autores não ganham nada com universos que já pertencem a outro autor. Ganham leitores e experiência, mas o foco não é o dinheiro e eu tenho certeza que nunca vai ser. As plataformas são sempre abertas e disponíveis pra todo mundo.

Se eu quiser criar uma fanfic do meu livro favorito eu posso? O que devo fazer?

Não só pode, como deve! Fanfics são importantes no processo de criação e amadurecimento de um escritor, acredite se quiser. Ela ajuda muito no aprendizado com as críticas, já que os leitores podem deixar mensagens a cada capítulo e atualização com a opinião deles, e na composição da história baseado no seu público alvo. Além disso, você pode escrever sobre o que quiser – alguém vai gostar do mesmo que você e vai querer ler sua história. Isso é quase certo.
O ideal é procurar um site de fanfics que te agrade e ler suas regras de envio. Existem sites onde você como autor pode postar sozinho, se cadastrando e enviando seu texto diretamente pra lá – como um blog -, e existem outros sites que pedem que envie seu texto a uma beta-reader, que são como editores de livros, que vão corrigir seus erros (e, no caso das fanfics interativas, colocar o código) e enviar para o site. Pronto!

Eu conheci as fanfics quando tinha 15 anos, mais ou menos, e morava em Alto Paraíso de Goiás. Não tinha livrarias na cidade e meu pai me enviava os livros de Harry Potter pelo correio. Como não tinha com quem conversar sobre a minha leitura, acabei recorrendo à internet e encontrei diversos fóruns, blogs e sites (isso em 2001!) cheios de fãs e leitores pelo Brasil todo. Participei de fóruns, onde a gente recriava Hogwarts e fingia ser professor/aluno e comecei, então, a ler e escrever fanfics em sites como Aliança Três Vassouras e Beco Diagonal. Talvez vocês não se lembrem, mas foi a época de ouro dos fãs de Harry Potter na internet e eu não trocaria essa experiência por nada!

Das fanfics de Harry Potter eu passei para as de artistas que gostava, como Westlife e McFLY. E foi escrevendo para os fãs de McFLY que eu encontrei algo que realmente amava fazer: compartilhar minhas histórias. Sábado à Noite, minha trilogia de livros, surgiu disso, assim como outras fanfics minhas que estão no Fanfic Addiction: Um Bem Mal Entendido, Como Ser Famoso, entre outras.

Hoje em dia eu falo muito sobre as fanfics para mídias grandes, tentando desmitificar a ideia e o preconceito que as pessoas normalmente tem com a leitura na internet. Ela não só faz bem, como pode ser um escape de criatividade e imaginação que as pessoas não reconhecem! E sim, fazem bem para a criação de um escritor.

Listagem de alguns sites de fanfics para você pensar em enviar a sua história:

Fanfic Addiction / Fanfiction.net / Nyah! Fanfiction / Fanfic Obsession / Fanfics Brasil / Fanfic Revolution / Social Spirit

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Você ficou desapontado com uma série de TV? Livro? Ou filme? Se você ainda ama seu fandom, descubra as fanfictions hoje e tenha a história do SEU jeito.

E você, escreve fanfics? Já leu ou tem alguma preferida? Em que site elas estão? Deixa aí nos comentários!

 

por Babi Dewet. Mora no Rio de Janeiro, é autora da trilogia de livros Sábado à Noite, formada em Cinema, Galaxy Defender, Caçadora de Sombras, Jedi, Sonserina, fã de Kpop, empresária neurótica, amante de gatos, doces, fanfics, séries de TV coreanas e filmes bobos americanos.
Respondendo perguntas frequentes: como comecei a escrever

Hey, peeps!
Resolvi começar uma pequena leva de posts contando um pouco das minhas experiências como autora, escritora de fanfics, fã e entusiasta da literatura nacional aqui no blog. Isso porque, venho recebendo cada vez mais emails e mensagens de pessoas curiosas e em situações que precisam de conselhos e dicas como essas. Caso queira dar alguma ideia pro próximo papo ou tirar alguma dúvida, sinta-se à vontade! Meu blog é sua casa!

O primeiro post é sobre como/quando comecei a escrever, que é pergunta frequente nas entrevistas e vejo todo mundo bem curioso!

Eu comecei a ler aos quatro anos de idade (mais ou menos, existem opiniões e variações diferentes entre meus pais!) e o primeiro livro que finalizei sozinha (livro mesmo, nada de imagem/texto) foi um do Rei Arthur e a Távola Redonda, de uma coleção que eu nunca mais achei para comprar. Como minha mãe tinha uma escola, sempre tive muitas opções de livros e era um passatempo folear e fingir que estava lendo tudo – uma dica enorme pra quem tem crianças pequenas. O contato com livros desde pequeno, não importa o conteúdo ou idade, influencia muito na forma como o jovem vai encarar a leitura anos depois!

Quando era pequena, escrevia alguns textos em cadernos sobre coisas aleatórias e histórias que eu gostaria de viver, caso acordasse em algum mundo paralelo. Todas, sem exceção, eram mágicas como as da Bruna Onilda ou intrigantes como as buscas pelo Santo Graal. Esses cadernos eram só meus (são!) e meus pais nunca tiveram contato com minhas histórias. Ninguém tinha, na verdade. Eu comecei, como muita gente, escrevendo pra mim mesma e eu achava que ninguém, em tempo nenhum, iria querer ler aquelas coisas.

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Esse da imagem é um bom exemplo de caderno que sobreviveu até hoje e o primeiro ser vivo a tocar nele, sem ser eu mesma, foi minha gatinha Pippin – ela tentou arrancar algumas páginas, que estão super velhas. Eu escrevi essa história com doze anos, mais ou menos, e era sobre uma bruxinha chamada Larissa e seu gato, Gertrudes. Eu amava o nome Gertrudes, só Deus sabe o motivo.

É normal escrever coisas que você acha bobo e que não quer mostrar pra ninguém. É saudável até, colocar isso pra fora e deixar sua cabeça viajar em várias histórias até você se sentir confiante e confortável o suficiente para começar a escrever para outras pessoas! Não ignore essa etapa na sua vida de leitor e escritor, porque é importante. Se você está com medo ou se perguntando se deve escrever ou o que deve escrever, então é porque ainda não está na hora. Vá com calma e tenha certeza de que quer dividir suas histórias com as outras pessoas – depois que deixam de ser suas, elas são de todo mundo e você está dando liberdade para críticas e comentários. Vou até falar, em breve, o porque acho errado chamar seus livros de “filhos” e como isso afeta sua relação com críticas negativas!

Depois de alguns anos escrevendo pra mim mesma, sem pretensão nenhuma de me tornar escritora ou lançar livros, descobri o mundo de Harry Potter e as fanfics na internet. Vai ser assunto do próximo post, então, se tiverem qualquer dúvida, só deixar nos comentários!

Obrigada pela atenção, peeps! Espero que tenham gostado e se identificado com o assunto.

por Babi Dewet. Mora no Rio de Janeiro, é autora da trilogia de livros Sábado à Noite, formada em Cinema, Galaxy Defender, Caçadora de Sombras, Jedi, Sonserina, fã de Kpop, empresária neurótica, amante de gatos, doces, fanfics, séries de TV coreanas e filmes bobos americanos.