As Quatro Estações, de Sandy & Junior

A vontade de deixar vocês pensarem que era algo relacionado ao Um Ano Inesquecível foi tremenda, viu?

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Houve um tempo onde, no Brasil e no mundo, todos nós gostávamos de pelo menos uma música do grande artista pop do momento. Seja pela qualidade da produção, a letra que tocou nossos sentimentos justamente quando precisávamos ou porque o dito cujo nos foi enfiado goela abaixo pela grande mídia, conhecer alguém que não simpatizava com esses artistas era algo tão raro quanto encontrar alguém que não é fã do Chaves.

Sandy & Junior se encaixam bem nessa descrição. Estou na parcela da geração 90 que considera a Sandy o “primeiro amor” e, apesar de ter lembranças de assistir apresentações da dupla no Programa Livre, As Quatro Estações, álbum que marcou o início da transição deles para um trabalho voltado ao público mais crescido, foi o primeiro disco que realmente tive a oportunidade de acompanhar.

Minha mãe trazia recortes de revista com informações e fotos, e como a gente não tinha dinheiro para comprar o CD original, conseguimos uma fita e fiz ela tirar xerox de todo o encarte (em um preto e branco horrível, diga-se de passagem). Era criança demais para interpretar as informações, mas foi ali que nasceu o glorioso hábito de ler notas de produção e agradecimentos que continua até hoje.

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Composto basicamente por baladinhas adolescentes com produção invejável e impecável de Guto Graça Mello e Sérgio Carrer, As Quatro Estações se tornou o disco mais vendido da carreira de Sandy & Junior, ostentando hoje mais de 2 milhões e 500 mil cópias (Anitta, artista da atualidade com popularidade comparável, vendeu 450 mil cópias do Bang. Os tempos para a indústria fonográfica eram outros) vendidas, e arrisco dizer que, se ele ainda fosse fabricado, o número continuaria crescendo.

Para mim, As Quatro Estações é um daqueles álbuns que representa bem o período em que foi lançado: Xororó, apesar de consagrado artista sertanejo, era bastante atualizado sobre o que estava ou não acontecendo na música pop mundial  e, junto com o Feio, fez um ótimo trabalho por aqui com as influências que teve: desde o uso de violino e piano com aquela bateria leve e característica dos anos 90/2000 até as letras sobre romances (Bye Bye, Arte do Coração) e PRINCIPALMENTE “ser feliz” (Eu Quero Mais, Vamo Pulá), a pauta mais importante do pop no fim da década.

Além disso, num período em que a música internacional ainda não era predominância nos ouvidos consumidores do pop, Sandy & Junior eram os grandes responsáveis por trazer ao nosso país os grandes sucessos do pop internacional – adaptados para nossa língua, claro: minha geração não se importava com as letras estarem longe de ter a mesma mensagem que a original. Imortal, versão de My Immortality da Celine Dion, fez parte da época e todo mundo queria ter o fôlego da Sandy ao cantar o finalzinho da música.

Junior faz um trabalho bacana em Aprender a Amar, música que acredito ser sua estreia na dupla como vocalista principal. O mesmo posso dizer para Vamo Pulá, outra que se tornou um clássico desse álbum. Sandy, por sua vez, estreia como compositora e tem seu nome assinado em Olha o Que o Amor Me Faz e As Quatro Estações, faixa que dá nome ao disco.

As Quatro Estações está longe de ser um álbum revolucionário e suas letras são simples ao extremo, chegando a soar triviais em alguns momentos – a própria Vamo Pulá, por exemplo, tem a frase-título repetida 65 vezes em pouco mais de 3 minutos -, mas é justamente essa “des-qualidade” que soma à todos os fatores aqui citados e fazem deste um dos melhores lançamentos da cena pop brasileira. E estou feliz de pertencer à geração que vivenciou o seu sucesso.

(e sim pessoal, hoje eu tenho o CD na estante AEHOOOO)

por Da5vi. Ama power pop, rock clássico, punk, new wave e punk pop, mas descobriu q pop mainstream pode ser cool. O cinco é mudo.